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Festival do Rio – Perfil da Diversidade de Raça e Gênero

Festival do Rio – Perfil da Diversidade de Raça e Gênero

 

João Feres Júnior e Marcia Rangel Candido

Como pesquisa do GEMAA já mostrou no Texto para Discussão 6, na produção audiovisual homens brancos são absolutamente dominantes no âmbito das funções mais importantes – direção, roteiro e atuação. Ademais, os filmes tendem a reproduzir estereótipos para os grupos marginalizados. Isto é, ainda que o mercado do cinema no Brasil esteja em franca expansão, a diversidade da população brasileira não é transposta para a produção, ainda que o cinema no Brasil conte com alta subvenção do Estado, ou seja, com dinheiro público.
No presente infográfico mostramos que esse problema também está presente nos filmes selecionados para o Festival do Rio. O mais importante dos festivais de cinema em território nacional também se beneficia de investimentos públicos e é um campo privilegiado para as obras autorais. O gênero masculino perfaz 78% da direção dos filmes na programação deste ano. No gráfico não foram computadas as produções em coautoria e nem os curtas.
Em relação a variável cor, constatamos que os negros (pretos e pardos) aparecem severamente sub-representados, perfazendo apenas 7% da direção de todos os filmes selecionados. Os diretores da Ásia não foram classificados como brancos ou negros, pois o continente ficou em grande medida alheio ao tráfico de escravos africanos. A predominância dos brancos no resto do mundo é de 83%, e como podemos notar no mapa, ela varia pouco de acordo com o continente originário dos diretores. No caso da América do Norte, 90% da direção das obras é de brancos. Em seguida, a América Central e a América do Sul apresentam 91% de indivíduos de cor branca nessa função. Por fim, a Europa e a Oceania são integralmente representadas por diretores brancos. Cabe notar que o continente africano teve apenas dois diretores na mostra, ambos negros.
A comparação entre Brasil e Estados Unidos é importante por alguns fatores. O Brasil é o país sede do evento e tem 51% da sua população negra. De outro lado, os Estados Unidos representam o país com o maior número de obras no festival e tem 13% de sua população composta por negros. O cálculo do índice de representação nesses países serve para constatarmos em que medida há inclusão para determinados grupos em áreas específicas. Para tal, estabelecemos a razão entre a porcentagem de diretores negros em cada país e a proporção de negros na população do país. Com isso, podemos evidenciar a exclusão dos negros nesse âmbito no Brasil.
De uma maneira geral, concluímos a sub-representação dos negros e das mulheres, com especial atenção para o fato de que, em todos os filmes computados na amostra, apenas uma das diretoras era negra.